domingo, 18 de setembro de 2011

Petrópolis: cidade de Pedro


Petrópolis, cidade de Pedro. Tudo começou em 1830, quando o D. Pedro I adquiriu a fazenda do Córrego Seco para construir uma residência na serra: era preciso providenciar um lugar onde a Família Imperial pudesse escapar aos sufocantes verões da Quinta da Boa Vista no Rio de Janeiro. Este costume de se ter casa para verão ou férias surge na Europa onde, especialmente no século XIX, palácios foram construídos em locais privilegiados. Surge, assim, uma tendência que marcará, especialmente a nobreza européia, chegando mais tarde aos plebeus, como um direito adquirido: as férias. Para o veraneio, os czares russos tinham a sofisticada São Petersburgo, assim como os reis da França, o Palácio de Versailles. No jovem Império do Brasil, os nobres também esperavam poder se dedicar, por alguns meses no ano, a um modo de vida mais descontraído, com altas doses de arte, diversão e contato com natureza. Porém, vários cidadãos respeitáveis da Corte torciam o nariz para o projeto: D. Pedro I, diziam, escolhera mal. Tudo o que existia em Córrego Seco, rebatizada de Imperial Fazenda da Concórdia, era uma vila de passagem que mal podia oferecer o mínimo aos homens e cavalos que cruzavam suas poucas ruas poeirentas a caminho das Minas Gerais. Para piorar, o lugar destinado a abrigar o centro da cidade era pouco mais que um pântano, coalhado de insetos e sujeito aos caprichos de rios que, com frequência, escapavam dos leitos! Mas alguns ainda apostavam no empreendimento: dentre eles, o filho do Imperador, o menino Pedro, acostumado a temporadas inesquecíveis na fazenda vizinha do Padre Corrêa. Porém, em 1831, as reviravoltas da política levaram D. Pedro I a abdicar do trono e partir para Portugal. O futuro Pedro II, príncipe criança, ficou para trás, preparando-se para governar um país gigantesco, então controlado por confusas regências. Durante mais de 12 anos, tudo parecia indicar que o projeto “Povoação – Cidade de Petrópolis” acabaria esquecido para sempre numa das gavetas de seu idealizador, o Mordomo Imperial Paulo Barbosa. Quem poderia retirar a Fazenda Imperial do esquecimento e torná-la mais do que uma simples vila de passagem, sempre coberta pela neblina? Para responder a esta pergunta, foi preciso surgir um homem acostumado a realizar obras que muitos considerariam impossíveis e em situações adversas: o engenheiro militar Júlio Frederico Koeler. Nascido no Grão-Ducado de Hesse-Darmstadt e, naturalizado brasileiro, Koeler era um engenheiro militar. Em 1837, construíra vários trechos da Estrada Normal da Serra da Estrela e da Estrada do Itamaraty sem utilizar mão-de-obra escrava: para tanto, convencera um grupo de colonos germânicos que aportara no Rio de Janeiro - e que estava insatisfeito com o tratamento recebido no navio Justine - a ficar no Brasil, desistindo de imigrar para a Austrália. Convencido de que aquele era o homem mais indicado para edificar, do nada, a sua cidade, D. Pedro II assinou, em 16 de março de 1843, o decreto 155, pelo qual arrendava a Koeler a Imperial Fazenda da Concórdia, ex-Córrego Seco, com a condição de que ele edificasse, não apenas a povoação, mas também o seu Palácio de Verão, uma igreja e um cemitério. Recordando-se da experiência bem sucedida com os colonos do Justine, Koeler trouxe cerca de dois mil colonos germânicos para Petrópolis ao longo do ano de 1845 iniciando assim a promessa feita ao então Imperador do Brasil, Dom Pedro II, de edificar uma cidade com seu palácio. De seu empenho, emergiu a Petrópolis Imperial. Tem-se noticias de outras cidades planejadas na América Portuguesa: uma delas ainda sob domínio Holandês, a cidade maurícia foi planejada ganhando aspectos sofisticados de arruamento, pontes, praças etc. No século XVIII, a cidade de Mariana, Minas Gerais, também sofreu uma profunda reforma, sendo planejada pelo militar Alpoim, com novos arruamentos, praças, tudo para receber o primeiro Bispado de Minas. No século XIX, a sede do Palácio de Verão do Imperador ganharia também projeto mais detalhado, com seus rios domados e contornados por jardins, seu palácio e casarões, praças e recantos privilegiados. Dali por diante, o destino estava traçado: a menina dos olhos do Imperador estava fadada a uma vocação grandiosa: de ser eternamente a cidade de Pedro!

Obra do escultor Jean Magrou, Paris, 1910. Fundição de: Jaboeue & Rouard, Paris.