domingo, 26 de maio de 2013

Peregrinos e a Estrada Real: os diversos caminhos dos devotos do Bom Jesus



Esta comunicação tem como objetivo tentar mapear as origens e os diferentes caminhos trilhados pelos devotos do Bom Jesus, no século XVIII, para chegar ao Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos no Arraial das Congonhas do Campo. Pensar as trajetórias geográficas permite analisar a importância deste Santuário como centro de Espiritualidade no século XVIII, tanto para Minas como para outras regiões da América Portuguesa e a dimensão que a devoção pode ter atingido. Germain Bazin (Aleijadinho e a escultura no Brasil, 1973) aponta o Santuário de Congonhas como “um dos topos espirituais da América Latina”, congregando, especialmente depois da fundação dos Festejos do Jubileu (1779), um número cada vez maior de fieis, de diversas partes. As dificuldades das estradas, a falta de meios eficazes de transportes, os perigos dessas vias, as intempéries do tempo, não fazem o peregrino desanimar de sua caminhada, mas parece ser mais um incentivo que fortalece sua crença de que o peregrinar é uma resposta à sua fé, a sua devoção. Além disso, possibilita uma articulação das diversas Vilas e Arraiais e a formação de uma rede de integração com trocas de experiências e mercados, via Estrada Real (principal meio de acesso ao centro de peregrinação), entre os diversos grupos populacionais da região das Minas.