Esta comunicação tem
como objetivo tentar mapear as origens e os diferentes caminhos trilhados pelos
devotos do Bom Jesus, no século XVIII, para chegar ao Santuário do Senhor Bom
Jesus de Matosinhos no Arraial das Congonhas do Campo. Pensar as trajetórias
geográficas permite analisar a importância deste Santuário como centro de
Espiritualidade no século XVIII, tanto para Minas como para outras regiões da
América Portuguesa e a dimensão que a devoção pode ter atingido. Germain Bazin
(Aleijadinho e a escultura no Brasil, 1973) aponta o Santuário de Congonhas como
“um dos topos espirituais da América Latina”, congregando, especialmente depois
da fundação dos Festejos do Jubileu (1779), um número cada vez maior de fieis,
de diversas partes. As dificuldades das estradas, a falta de meios eficazes de
transportes, os perigos dessas vias, as intempéries do tempo, não fazem o
peregrino desanimar de sua caminhada, mas parece ser mais um incentivo que
fortalece sua crença de que o peregrinar é uma resposta à sua fé, a sua
devoção. Além disso, possibilita uma articulação das diversas Vilas e Arraiais
e a formação de uma rede de integração com trocas de experiências e mercados,
via Estrada Real (principal meio de acesso ao centro de peregrinação), entre os
diversos grupos populacionais da região das Minas.

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