Manifestações em Belo
Horizonte – 22/06/2013
Eis
que nasce a Nova República Federativa do Brasil
Participei da caminhada
ocorrida em Belo Horizonte no último sábado dia 22/06/2013. A primeira cena que
me chamou a atenção foi a participação de diversas famílias e nelas crianças, adultos,
velhos que caminhavam tranquilamente. Estas pessoas sim, são os VERDADEIROS
manifestantes. Vi o Brasil nas ruas. Mas o que pedem? A diversidade marcou
estas manifestações. Foi a diversidade de pedidos, de anseios, de idade,
religião, escolaridade que marcaram estes movimentos. No entanto, o sentimento
de revolta que marcou os corações do povo foi, sem sombra de dúvida, a falência
de um sistema marcado pela corrupção, pela falta de transparência, por altos investimentos que não retratam
a verdadeira necessidade da nação. Pode parecer forte a palavra falência, pois
apresenta a ideia de fim, de morte, onde determinado ciclo se encerra. A falência
múltipla do organismo humano leva a morte; a falência de uma empresa ocasiona a
demissão em massa e a paralisação de suas atividades; a falência de um sistema
governamental acarreta a substituição por outro, como ocorreu em 1889 quando da
falência do Império do Brasil e o surgimento do Estado Republicano. Afinal, a
República Federativa do Brasil irá ser substituída? Acredito que sim. Mas não
por outra forma de governo, autoritária, despótica, mas por algo novo: um Novo
Republicanismo. Se anteriormente tivemos os modelos Norte Americano ou Francês
como inspiração, agora o modelo é a Rua. Nela está a igualdade, a seriedade, a transparência. Vemos desfilar pelas passarelas da democracia os planos governamentais para as
próximas décadas. Não são soluções de uma “penada”, são projetos de curto,
médio e longo prazos. Sempre achei engraçado ensinar para os alunos o período chamado
de Nova República, a partir de 1984 com as Diretas
Já, que mais pareciam comícios políticos que movimentos que reivindicavam
às eleições diretas no Brasil. Não via uma Nova República, mas a volta ao cenário
público de agentes políticos apagados no período da ditadura militar. Desculpava-me com
o fato de não ter vivido aquele período, mas tenho consciência da importância dele.
No entanto, vejo que junho de 2013 nasceu, verdadeiramente, a Nova República. Não há modelos, ou como
diriam os analistas políticos, “sem precedentes”, por isso vejo algo de novo e
difícil de sintetizar. O que é novo pode gerar medo, dúvida, intranquilidade,
angústia. Mas ressalto que os grandes eventos da humanidade, que serviram de
modelos para outros povos em diferentes épocas e lugares, também foram novos,
sem precedentes. Apenas dois casos para exemplificar: a Independência das Treze Colônias que, decretando independentes da Inglaterra, originou os Estados Unidos da América com um Regime Republicano, baseado em ideias Iluministas, separação de poderes, verdadeiramente uma profunda inovação para época; outro, a Revolução Francesa, poucos anos depois, movimento que contou com a participação popular que até em armas pegou. Não havia precedentes para estes movimentos. Marcaram não apenas os lugares em que ocorreram, mas inspiraram inúmeras gerações e ainda continuam lançando luzes sobre o mundo, em busca de liberdade, igualdade e fraternidade. O que se deve fazer agora é unir as diversas partes que
compõem este complexo tão diferente, de ideias, necessidades, anseios em propostas organizadas e claras. No
entanto, há algo que une isto tudo: o desejo de profundas mudanças sociais. Não
apenas o poder aquisitivo, mas um sistema de saúde pública melhor, educação em que
se prima pela excelência e não pelos números fictício, por moradia, estradas
que sejam seguras para se trafegar, enfim, investimentos verdadeiramente
necessários para o povo. Aí sim, teremos uma Nova República.
