domingo, 23 de junho de 2013

Manifestações Junho de 2013

Manifestações em Belo Horizonte – 22/06/2013






Eis que nasce a Nova República Federativa do Brasil

Participei da caminhada ocorrida em Belo Horizonte no último sábado dia 22/06/2013. A primeira cena que me chamou a atenção foi a participação de diversas famílias e nelas crianças, adultos, velhos que caminhavam tranquilamente. Estas pessoas sim, são os VERDADEIROS manifestantes. Vi o Brasil nas ruas. Mas o que pedem? A diversidade marcou estas manifestações. Foi a diversidade de pedidos, de anseios, de idade, religião, escolaridade que marcaram estes movimentos. No entanto, o sentimento de revolta que marcou os corações do povo foi, sem sombra de dúvida, a falência de um sistema marcado pela corrupção, pela falta de transparência, por altos investimentos que não retratam a verdadeira necessidade da nação. Pode parecer forte a palavra falência, pois apresenta a ideia de fim, de morte, onde determinado ciclo se encerra. A falência múltipla do organismo humano leva a morte; a falência de uma empresa ocasiona a demissão em massa e a paralisação de suas atividades; a falência de um sistema governamental acarreta a substituição por outro, como ocorreu em 1889 quando da falência do Império do Brasil e o surgimento do Estado Republicano. Afinal, a República Federativa do Brasil irá ser substituída? Acredito que sim. Mas não por outra forma de governo, autoritária, despótica, mas por algo novo: um Novo Republicanismo. Se anteriormente tivemos os modelos Norte Americano ou Francês como inspiração, agora o modelo é a Rua. Nela está a igualdade, a seriedade, a transparência. Vemos desfilar pelas passarelas da democracia os planos governamentais para as próximas décadas. Não são soluções de uma “penada”, são projetos de curto, médio e longo prazos. Sempre achei engraçado ensinar para os alunos o período chamado de Nova República, a partir de 1984 com as Diretas Já, que mais pareciam comícios políticos que movimentos que reivindicavam às eleições diretas no Brasil. Não via uma Nova República, mas a volta ao cenário público de agentes políticos apagados no período da ditadura militar. Desculpava-me com o fato de não ter vivido aquele período, mas tenho consciência da importância dele. No entanto, vejo que junho de 2013 nasceu, verdadeiramente, a Nova República. Não há modelos, ou como diriam os analistas políticos, “sem precedentes”, por isso vejo algo de novo e difícil de sintetizar. O que é novo pode gerar medo, dúvida, intranquilidade, angústia. Mas ressalto que os grandes eventos da humanidade, que serviram de modelos para outros povos em diferentes épocas e lugares, também foram novos, sem precedentes. Apenas dois casos para exemplificar: a Independência das Treze Colônias que, decretando independentes da Inglaterra, originou os Estados Unidos da América com um Regime Republicano, baseado em ideias Iluministas, separação de poderes, verdadeiramente uma profunda inovação para época; outro, a Revolução Francesa, poucos anos depois, movimento que contou com a participação popular que até em armas pegou. Não havia precedentes para estes movimentos. Marcaram não apenas os lugares em que ocorreram, mas inspiraram inúmeras gerações e ainda continuam lançando luzes sobre o mundo, em busca de liberdade, igualdade e fraternidade. O que se deve fazer agora é unir as diversas partes que compõem este complexo tão diferente, de ideias, necessidades, anseios em propostas organizadas e claras. No entanto, há algo que une isto tudo: o desejo de profundas mudanças sociais. Não apenas o poder aquisitivo, mas um sistema de saúde pública melhor, educação em que se prima pela excelência e não pelos números fictício, por moradia, estradas que sejam seguras para se trafegar, enfim, investimentos verdadeiramente necessários para o povo. Aí sim, teremos uma Nova República.

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